Plact Plact Vruuuuuuuuuuuuuuuuuuum Vrum Vrum Smoooooooooooooooke.

Empurra e pisa e corre e ônibus Av. Paulista sentido Rua 13 de maio.

Rua Brigadeiro Luís Antônio, em dia de Pico, todo mundo a caminho do trabalho. Contudo, o que menos se acha neste percurso é a educação. Ok, as pessoas acordam cedo e disputam um espaço na rua para poderem trabalhar. Mas, em meio àquela fila de gente, uma outra gente dorme, enquanto São Paulo acorda.

A cama é feita de calçada, o papelão acalenta e o silêncio da noite dá espaço ao amanhecer de uma cidade em ebulição. Em frente ao ponto de ônibus mais lotado, um mendigo dorme. Há quem ache um absurdo aquela pessoa dormindo ali. Sabe por quê? Porque ela atrapalha. A indignação diante da figura largada no chão não vem de sua condição sub-humana. O que importa é sua falta de função em um momento em que a funcionalidade tem de existir.

Contudo, como para tudo nesta vida, ali também existe uma solução. Deixe o mendigo lá e pule este obstáculo contra o tempo.

O corpo deitado. Um homem à margem esquerda do indigente e outro à margem direita. Por um erro de cálculo da travessia, eles decidem saltar ao mesmo tempo aquela montanha de ossos secos, sujeira e coração.

O homem da esquerda para. Sorri e estende a mão indicando que tem o maior prazer em deixar seu parceiro de travessia ir primeiro. O homem da margem direita diz um suave “Obrigado”, agradecendo a gentileza de seu parceiro de hUManidade. Por fim, ambos saltam o mendigo.

Esta foi toda a educação que passou por ali.

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