A coroa e o cetro inexistem. Mas, ele tem postura de rei. A camisa alva e impecável, o cabelo negro e sem um fio fora do lugar. O trono é o balcão e ali ele assina com sabedoria o decreto da alegria do mundo. O rei se encontra no pequeno vilarejo da Vila Mariana. Foi por amor a ela que trocou os majestosos bares pelo simplório boteco. E ele vive desta paixão pela Caipirinha.

Deusdete Neres de Souza é a majestade que a mim se deu como mestre. Conhecido como o “Rei da Caipirinha”, como simples súdita fiz a ele um pedido e como governante atencioso, atendeu com prazer. Hoje, desmistificacando mitos, uma mulher vai aprender a preparar sua menina.

O Souza do Veloso Bar, o homem que só tocou foi em coroa de abacaxi, é aclamado por gregos, troianos, leigos e especialistas. Com um sorriso largo, faz do caderno que lhe fala e da câmera que o fita mais dois grandes admiradores. E rei que é rei trabalha.

Quando cheguei ao Veloso, os ingredientes do alquimista estavam separados e ele me jurou que daquilo tudo, o único segredo vinha do gelo. Ahan…
E daquela infinidade de cores e sabores, antes de misturá-las, é preciso sentir a personalidade de cada uma. E ele vai me dando as frutas pra provar, um sabor que vem do Nordeste, outro que nasceu no interior de São Paulo. E juntas, elas concentram uma única força. Assim, ele engrossa, diariamente, o coro da pátria apaixonada pelo seu elixir.

Fruta, açúcar, o suco. Macera. A avalanche do gelo surge para resfriar a bebida quente e a cachaça vem com intuito de dar personalidade. Provei, aprendi, apaixonei.

Antes de ir embora, imploro pelas coxinhas maravilhosas. E mais uma vez, meu pedido é atendido.

Agora, eu entendo os motivos deste rei abandonar seus grandiosos aposentos e viver de amor por esta irresistível menina chamada Caipirinha…

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