Cachacier, habanno sommelier,chef… Ele é de tudo um muito. Maurício Maia é um dos grandes entendidos de cachaça. De guri o melaço, de homem que já abandonava as calças curtas os primeiros tragos. E foi entre canaviais, sotaques que puxavam o erre e alambiques que ele descobria a sua nova princesa encantada.

Marcado o encontro, o esperei quase que de cavalo branco. As fotos a la Ronie Von palpitavam um homem elegante, um príncipe. Mas, encantados modernos chegam de moto e capa de chuva. Maurício é um verdadeiro gentleman. Empunhando sua dourada princesa, ele conta com suavidade o respeito cantado em palavras.

Em suas mãos, a preciosidade. A voz pausada do homem salienta que o perfume de uma cachaça não deve agredir o olfato, mas envolvê-lo. Os olhos devem apreciar o tesouro cristalino e sem nenhum vestígio de falta de genuinidade. O paladar deve curvar-se ao seu sabor, sentindo por toda a língua a essência de quem é única. Assim, os sentidos contemplam a singularidade do tesouro nascido e criado no Brasil.

Maurício parte em seu Mangalarga motorizado, mas deixa uma infinidade de ensinamentos. O homem elegante que vê na cachaça uma sofisticação desprezada por muitos e reconhecida por poucos.

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