– Ok! What do you doing?
– Teacher, e o terremoto do Japão?

O inglês dá lugar às lembranças japonesas. Silêncio. Nos olhos puxados de Sueli, o tremor rasgado de uma experiência. Os atuais acontecimentos no país do sol nascente a transporta para alguns anos passados. Estudante, filha de japoneses. Antes de lecionar inglês, a brasileirinha morou lá. Dividindo não apenas um apartamento, mas também uma angústia com sua amiga, ela viu a terra mudar de eixo.

5. Em número se escala uma tragédia, suas consequências.
5. O algarismo que mareja os olhos dela, que a faz recordar daquele tremor, a expressão de angústia naquele sábado de tempo instável.
5. A quantidade que a faz confessar que se estivesse sozinha não saberia o que fazer, só lhe restaria gritar.
5. É 3.9 a menos do sofrimento atual de milhares de pessoas, da submersão de suas casas, da página estagnada de suas vidas.

5 foi a escala do terremoto que marcou a vida de Sueli para sempre. Uma pergunta corriqueira de seu aluno fez imergir um medo guardado, raciocinado, timidadamente compartilhado. Ela diz não imaginar a dimensão do sofrimento daqueles que hoje sofrem no Japão, mas que nada deve se comparar com tamanha tragédia.

Em números, vidas que não traduzem histórias.

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