Hahahahhahahahhahah!
Chuáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Um copo voa da perua escolar. Um copo de dentro do carro com a famosa cruz de descoberta. Um copo cheio d´água da fonte daquele que seria um porto seguro. Educação. Muito além de um “obrigado e por favor!”, aqui não se encontra.

O Relato de uma experiência proclamada sobre aqueles que na balança social a justiça fecha os olhos e pesa a favor. “Com certeza, foi um filho do Paraisópolis”. Desculpe alteza, (é assim que se trata um conde??), mas o povo da comunidade não teria dinheiro para sustentar um guri naquele colégio. E num destes desabafos não apenas de irritação, mas lamentação pelos filhos exaltados de uma família plástica, vidas se cruzam assim como a cruz imperativa.

M., professora de educação infantil. Assim como eu, ela demora cerca de uma hora e meia para chegar ao Panamby. Depois, caminha por mais dez minutos, apreciando a escola de ballet de Lucianne Murta, enfrentando o matagal do caminho e aturando os insultos grosseiros dos pedreiros ali por perto. Ela também prefere sapatos confortáveis a saltos altos e acredita que um educador semeia não apenas ensinamentos, mas também amor e respeito aos seres humanos e à natureza.

Por respeito a identidade desta minha companheira de trajeto e de desilusão do grande mercado de ensino, digo… dos centros educacionais renomados, ela não será identificada. No entanto, tenho certeza de que ela pode ser um pedaço de espelho e a angústia pessoal e profissional amargadas também pela sua pessoa.

“Lembrei de você. Você acredita que uma menina de 4 anos, 4 anos! estava rasgando as folhas de papel do caderno e jogando fora? O pior não foi isso. Minha colega e professora dela a chamou e explicou que muitas árvores tinham sido mortas para aquele caderno estar ali. Por isso, temos que usar com consciência e se possível reutilizar o papel. Sabe o que a menina disse? Que a mãe e o pai dela eram ricos e podiam comprar todas as árvores do mundo se ela pedisse… e continuou rasgando. A diretora chamou minha amiga e disse para não repreeender a menina, pois ela é filha de fulana e de ciclano. Como podemos educar assim?”

Indignada é a palavra correta para expressar o horror deste relato. Uma vez, ouvi de uma educadora famosa a seguinte frase: Não devemos pensar apenas em que tipo de mundo daremos aos nossos filhos, mas que tipo de filhos deixaremos para este mundo. A educação não pode ser medida por berço, mas pelo caráter. Uma criança não virá a ser uma pessoa, ela é. Assim sendo, somos responsáveis pela sua educação, independente de teto, de sobrenomes e de endereço.

“Espero que ela e tantos outros ainda tenham a oportunidade de mudar.” Nós também, não? Que aqueles que um dia tenham a mão marcada pela pólvora consigam tocar a esperança. E os que rasgam páginas ainda não escritas tenham seus futuros marcados por outras linhas.

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