Um sábado em São Paulo é sinônimo de descanso. Mas, isso não quer dizer que não haja trânsito e nem que não precisamos andar de metrô. Para minha alegria, eu deveria utilizar a linha vermelha para que a busca pelo meu destino fosse concretizada. Praça da Sé, 15h30. Em meio ao burburinho, ao pai brincando com o japonesinho de ser um homem alto, de mães carregando filhos e sacola, o cotidiano dá lugar ao erudito.
Não há João Carlos Martins para reger qualquer solista. Não existem músicos preparados pela orquestra de Berlim. Mas, tem um piano em meio ao centro da cidade. Para alguns, este lugar é sinônimo de degradação, sujeira, passado. Para mim, aquele instrumento situado no coração de Sampa é a trilha Sonora para uma região repleta de mistérios a serem descobertos.
O motoboy, a balconista, o designer, todo mundo senta e faz bonito. Cada um, de início com um show de teclas particulares, aos poucos vai abraçando a estação inteira com as notas da alegria. Já não há distinções. Só existe o poder contagiante e igualitário que a música tem. Titanic, My Way, MPB, de tudo um pouco. Piano a quarto mãos , sorrisos permeando o som, um bando de gente em volta . E eu vou também, apreciar esta delicia, esquecer que minha amiga está uma hora atrasada e que não consigo retornar a ligação de meu namorado que está na Alemanha. A pausa na correia, o extraordinário desbancando o ordinário. É um piano no meio da Sé.

Anúncios