“Peço por favor
Se alguém de longe me escutar
Que venha aqui pra me buscar
Me leve para passear

No seu disco voador
Como um enorme carrossel
Atravessando o azul do céu
Até pousar no meu quintal”

Pois é. Alguns pedidos são atendidos não por extraterrestres e fadas madrinhas. Quem os atendem são simples mortais que um dia ousaram enxergar para além de ver.

Quase Quarentas anos. Terno preto, óculos escuros, rádio de verdade no lugar daquele que um dia foi um comunicador de brinquedo. Assim caminha Alexandre pelos trajetos diversos do SESC Santo André.

Ali é o seu local de trabalho. No peito, escrita em letra cursiva, é possível ler “Segurança do SESC”. Desta forma, ele foi condecorado por alguma rainha inglesa, como se esta tivesse pedido para que ajoelhasse e, com uma espada real tocando seus ombros, o título de SIR lhe foi dado.

Ele cuida daquele espaço com carinho. Presta atenção a cada regra transgredida, a cada criança que insiste em quebrar combinados.

Alexandre é um funcionário exemplar. Chega no horário, parte com pontualidade, olhos de lince. Olhos meigos que fixam nos seus e são capazes de desejar o “Tenha um MARAVILHOOOOOOOSO 2012” mais especial deste planeta. Dedicado, delicado. Com um sorriso de canto de boca, recebe a todos. Com seu rádio comunicador, tagarela inúmeros QAP´S avisando de numerosos QRU´S. Para ele, isso soa como música. Para nossos ouvidos, mensagem de um contato imediato não terminado.

O rapaz negro virou símbolo. Depois de certo estranhamento por conta de algumas crianças, ele não as entendia. Mas nada que o respeito ao diferentemente iguais não brotasse uma amizade bonita, destas de virar a foto que virou. Um fotógrafo atento conseguiu eternizar o momento em que ele amarrava os pequenos sapatos de um guri. Ali, um laço foi feito.

Alexandre é da APAE e frequenta todos os dias o SESC Santo André. Para além de diferenças motoras, o Alê é sim uma pessoa especial. Não, na verdade ele não é segurança do SESC, mas atua convicto desta sua função. Há quem diga que não apenas os funcionários e gerência o adotou, mas também usuários que já interagem com aquela figura querida que cuida da unidade de Santo André como se esta fosse sua casa. Mas, quer saber a verdade? Fomos nós os adotados pelo carinho dele.

Deixei o SESC Santo André em 2008 e retornei em 2011. No primeiro dia em que fui entregar as papeladas, Alexandre me encontrou, olhou e sorriu para mim com um delicioso “Que Bom, eu sabia que você voltava”. Ele jamais me esqueceu. Hoje, “trabalhamos” juntos. =)

Para o Alê, com carinho.

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