“O carro da fruta chegou, o carro da fruta chegou!”

E por entre o chão de barro marcado por aqueles meninos de Mauá, um novo sorriso brota. É a alegria de provar o suco, de beber da natureza, de comer com gosto.

Aquele veículo misterioso não é puxado por renas e nem risca o céu na sua trajetória. Ele tem quatro rodas e uma carroceria repleta de solidariedade. De dentro dele, dois homens comandam a festa de Natal fora de época.

E o bastimo de vida dá lugar à magia. Natal e Garcia são os dois trabalhadores do caminhão do MESA Brasil do SESC. No lugar do Polo Norte, eles recebem os pedidos na unidade de Santo André. Ao invés de cartas, telefonemas e emails. E o presente vem em forma de doações de alimentos.

O projeto, que já passou de uma década, nasceu com a missão de combater a fome e o desperdício de alimentos. Aquilo que está maduro demais para a venda ou que sobrou e se encontra em boas condições é analisado por ambos e recolhidos para virar prato na mesa de quem precisa.

É fruta quase virando doce, é o retalho do bolo da confeiteira. E tudo isso se transforma em sobremesa para pequenos corpos que anseiam a nutrição também da alma, um delicioso pavê feito pela tia da creche.

Todos os dias, aquele caminhãozinho faz a festa de quem tem fome. Quando adentra uma comunidade, um orfanato ou asilo, é quase que possível saber que milagres existem.

E no rosto do homem batizado como Natal, a emoção de saber que aquilo que ele faz transforma. Nada é mais gratificante do que ver aquela garotada correndo, seguindo as marcas do seu pneu e vendo aquelas portas, literalmente da esperança, se abrirem.

Por entre cascas e sementes de abóbora, ainda com seu uiniforme de cor verde esperançosa, ele se emociona: “É um dos melhores trabalhos do mundo.”

A tarde cai, o caminhão volta para a garagem. Na manhã seguinte é dia de colocar o boné verde, as botas e luvas. É momento de estudar rotas, ler emails. É tempo de entregar esperança.

Reza a lenda que um homem velho, vestido de vermelho e com uma sacola repleta de presente jamais abandona sua missão. Pode ser que ele só apareça em Dezembro, mas há aqueles que conseguem vê-lo durante o ano todo, afinal, “não há nada melhor no mundo do que entregar sonhos.”.

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