“O Deus que há em mim saúda o Deus que há em você”

Espaço colorido, cheirando a incenso. Tem algo místico no ar.

E na correria de mais um plantão, tive a grata surpresa de saber que o final de semana em que eu estaria na Unidade do SESC Santo André, aconteceria o Encontro de Yoga. Fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Paticipar indiretamente, mas sem me concentrar pessoalmente na atividade.
Como de costume, eu desenvolveria uma oficina com o público. Queria que fosse algo especial, pessoal, colorido… Iluminado!

E foi asism que resgatei de minhas memórias o dia em que estive na exposição de Yoko Ono. Ela preparou uma árvore dos desejos que teve meu pedido pendurado em seus galhos, carregando de esperança aquele verde de natureza. Seria esta a minha atividade.

No dia 22 de abril de 2012, precisamente 13h30, muitas pessoas tomaram assento naquela bancada branca, pigmentada de papéis neon. O verde, o amarelo, o roxo, o rosa, o laranja, todos tomados de desejos e de fé. Pessoas ansiosas e com sede de vida, de milagre.

E foi uma senhora de 66 anos que roubou a minha atenção. Ela escolheu seu papel, e chorando, escrevia com força aquilo que buscava. E me contou a seguinte história:

“Há 35 anos eu espero por este milagre. E hoje, eu vou colocar meu papelzinho para que a sua árvore me traga ele”.

Meu olhos se encheram d´água. Eu não tinha a dimensão do que aquela simples oficina, inspirada na ideia da brilhante Yoko, poderia fazer com as pessoas. E cada vez mais, aquela discreta árvore ganhava cores, sonhos e esperança.

Cachorro, irmãozinhos, pedido para que o filho parasse de beber, cura de doenças, carros novos, paz mundial. Ali, o peso da responsabilidade me tomava. O que antes teria termino apenas com a retirada de cada pedido, agora merecia uma benção. E foi então que o caminho que ela tomou jamais tinha passado pela minha cabeça. Euber, nosso estagiário, e eu levamos todos aqueles sonhos até o espaço de meditação, de dança e de paz. E saudando os deuses e o universo, cada pedido foi sacramentado pela oração de uma monja, pela energia da vida.

Eu esqueci de pendurar uma prece ali. Mas acredito que eu tenha feito isso quando uni minhas mãos, fechei meus olhos e deixei com que toda aquela paz invadisse a minha vida, ultrapassasse meu cansaço, acalentasse meu coração ali conturbado e me trouxesse a luz que a gente só encontra dentro da gente mesmo.

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