Rá-Tim- Bum!

FUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUU!

E foi assim. Não existiam as 9 velas indicando os anos. Mas aquelas palavras vieram a mim como um sopro, sopro de vida:

– Nathalia, Hoje é meu aniversário!

– É mesmo? Então venha cá me dar um abraço… Parabéns, muita saúde e que Deus te proteja, realize seus sonhos e te faça feliz.

– Não, esta parte não precisa. Eu já Sou feliz.

E com um sorriso nos lábios, R. me deu um presente. O aniversário era dele, mas não soube do ensinamento que me proporcionou.

R. é magro, franzino. Vive em uma casa na Comunidade da Tamarutaca com outras 8 pessoas. Seu pai é desconhecido. Quem faz este papel em sua vida é o irmão mais velho, de apenas 11 anos. O garoto de sorriso fácil vive sempre de pé no chão, não gosta de calças, mas ama abraçar.

O menino de olhos escuros e pele manchada possui um problema grave. Seu corpo produz mais energia do que pode surportar. O diagnóstico de Hiperatividade tão banalizado nos dias de hoje, encontra nele o extremo. Ele não para um minuto, não consegue ficar sentado sem se mexer, tem sua atenção prejudicada e uma vida sofrida. Os médicos alertaram para a palavra sofrimento. Para aquele pequeno ser é dolorido, fisicamente, viver.

Dormir também é um problema. E quando acorda, dizem que passeia por entre as vielas para pedir comida. Dizem.

Tem alguma coisa muito preciosa nas crianças. Elas enxergam além do próprio nariz, encontram os sonhos. Conseguem ver os sentimentos, uma alegria que por vezes deixamos adormecida. R. me fez despertar para dentro de mim mesma. E aquele caminho que parecia um pouco escurecido, o meu e o dele, ganhou uma luz, um formato, um bolo carregado de 26 velas. Aprendi a assoprá-las e agradecer por aquilo que já tenho. O presente? Estou desembrulhando com a fé.

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