E enquanto abria os enormes pacotes pardos de brinquedos, esqueceu de todas as criações que haviam ali: pernas de pau, carrinhos de cabo de vassoura e jangadas de Madeira. Nada,absolutamente nada, seria capaz de fazê-la viajar de volta à infância como aquele amontoado de caixas de papelão. E quando abriu aquele sorriso inocente, desejou se jogar naquela montanha, mas não o fez. Apesar de viver entre crianças e brinquedos, ali era seu trabalho sério, mas não menos encantado.

Depois de quatro anos, percebeu que sua vida era como um livro de Lewis Carrol. Era possível ter 27 anos e 10 ao mesmo tempo. Por vezes, quase que os cabelos brancos denunciam as dificuldades diária de ensinar aprendendo e aprender ensinando. Mesmo assim, já lhe deram 19 anos. E quando dizia que sua missão era a fonte de juventude, diziam que estava louca.

Depois de um tempo, percebe- se que as crianças olham um outro mundo pelo buraco da fechadura. E quando realizamos o poder desta visão, deixamos que a loucura governe um país chamado encanto. Assim tem feito. Desta forma, aprendeu a ver dragões para além de moinhos.

S., 7 anos, colecionador de objetos descartados, inventor da terra do nunca e melhor amigo de uma tartaruga sem cabeça com a qual aprendeu o significado de carinho. Olhinhos puxados, cabelo liso, meio metro de heroísmo. Para o mundo, ele acumula lixo, para o pequeno o que faz é unir riquezas.

Assim, aprende com ele, a transformar miudezas em algo extraordinário. A sorrir com covinhas e a falar NOOOOOOOOOssa toda vez que encontra um milagre em forma de fantasia.

Ele não só joga futebol, bate bola com astronautas. Ele não caminha pelo gramado, se embrenha por uma selva perigosa e cheia de alienígenas. Ele vê o mundo com riqueza, conta histórias legendárias, enxerga a vida pelo quixotismo de ser criança.

No lugar do coração existe uma fechadura.

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