Herr Keszek.

 

Ele consertou o meu anel, a lanterna traseira do meu carro e meu coração muitas vezes partido. Ele é bom nisso.

Acho lindo quem conserta e não joga fora. Keszek sabe o valor das coisas,o valor  de gente. Percebi isso logo quando o vi, sabia que dividiríamos tarefas, dias e uma cumplicidade. Ele transforma distâncias, linhas, medidas em poesia. Transforma isso em abraço, em conversa com café, em porradas e carinho.

Keszek foi embora hoje. Alguns km de distância nos separam, mas eu queria transformar estas medidas em palavras. Queria entregar para ele o melhor que sei fazer, talvez transformar palavras em gratidão.

Talvez dizer que ele me ensinou que todos temos conserto. Talvez alguma luz dentro da gente esteja desajustada, talvez nossos ouvidos não estejam preparados ou o nosso coração bate fraco. Mas existe vida enquanto existir um fio de respiração.

Voltar e estacionar o carro direito é uma segunda chance de mostrar que nos importamos. Prometer que vamos tentar não estragar as coisas é mostrar que estamos dispostos a mudar o que dói. Abraçar se perdendo naquela sensação boa de que todos nossos caquinhos estão regenerados é se permitir viver.

Keszek, o meu arrumador de mundo favorito. Ele me deixou uma caixa de ferramentas enorme para que eu consiga seguir em frente neste quebra-cabeça que é viver, reviver, se reaver. E já estou sentindo tanta falta.

Mein Herr Keszek, que você continue iluminando lugares e vidas e ajudando tanta gente que tem conserto. E não sabe.

 

Anúncios