Este não é um texto. É um antitexto, um não-texto, um nada a ver com um texto.

Este não é um texto porque não tem uma personagem com o nome de um Beatle.

Este não é um texto porque não se passa num restaurante que vende discos e arroz de pato e, diga-se de passagem, o arroz de pato que não foi o melhor que eu já provei na vida.

Este não é um texto porque vamos fazer um minuto de silêncio pela vida do pato que morreu em vão num almoço fatídico que não existiu.

Este não é um texto porque ninguém aqui quase congelou em expectativa e carne e osso naquele sábado gelado.

Este não é um texto porque nenhuma personagem que, abre aspas, tem o nome de um Beatle, fecha aspas, não falou nada, ficou muda, não cumpriu o combinado.

Este não é um texto porque ninguém aqui pode fazer a performance do Rocky Balboa planejada durante uma semana toda.

Este não é um texto porque não  houve uma briga, não  aconteceu um “a culpa é sua” ou um “agora é minha vez, deixa eu falar!”

Este não é um texto porque ninguém se beijou no final ou durante ou pós ou em talvez.

Este não é um texto porque tem uma interrogação bem aqui, neste ponto final.

Este não é um texto e eu não o escrevi e nem o enderecei. Porque eu podia dizer “Quer um texto? Tome ele aqui na sua cara!”

Este não é um texto que eu não escrevi para dizer vários nãos pra você.

Este não é um texto, e eu não sou uma escritora, e você não faz falta, e eu não quero te matar em palavras.

Dizem que este é um texto. Eu duvido.

 

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