Toque para ler

Depois da noite mais longa do ano que trouxe o inverno, nós clareamos o dia com cores. E foi no 3, nesta contagem regressiva da vida, que jogamos o laranja, o rosa, o verde, o azul e todo o arco-íris para o Universo. E tenho certeza de que hoje ele dançou mais feliz.

O Sol em sagitário, o cavalo arqueiro, as malas prontas para ganhar o mundo, o mapa astral nunca mente. Assim como as crianças. Dia destes sentamos em roda e descobrimos qual constelação vivia dentro da gente. Taurinos famintos, escorpianos perseguidores, cancerianos de coração enorme, peixinhos sonhadores, librianos indecisos, arianos descontrolados, capricornianos que descobriram um coração. Virginianos precisando de réguas e organizações nos desenhos, aquarianos descumprindo todos os combinados. Sagitarianos amando a liberdade. Leoninos pensando no mundo como espelho, geminianos falando pelos cotovelos. O universo é a gente.

E quando a lua muda de casa, a gente volta pra descobrir que a quadra é um lugar para se sentir saudades. Micael me ensinou isso. E depois desta conversa sobre onde nosso coração se sente melhor, fui dormir três dias na cama da minha mãe.

Quando a gente não sabe o que dizer praquela pessoa que a gostamos tanto, basta segurar firme na mão do seu melhor amigo e se encher de coração. A gente pode estar muito envergonhado, mas a Malu me mostrou que isso funciona.

E no dia em que você precisar pedir desculpas, do fundo do coração, pode chorar também. Foi a Luara quem me disse. Significa que tá doendo, mas você tá cheio de boa vontade. E depois disso, basta esperar que a pessoa te responda.

Se você perceber que magoou alguém, é o momento de ouvir. E depois perguntar para pessoa como ela se sentiu com tudo isso. E estar aberto para perceber que talvez você não seja tão legal assim, mas que tem jeito. A Júlia me aconselhou a isso no dia em que eu fiz uma besteira bem grande.

Não existe lugar certo para abrir o coração. Foi nos bancos da quadra de basquete, quando deitei de cabeça para baixo que o Érick decidiu que me ouviria. Foi numa terapia do Abraço que a Kaliane me ensinou que o mundo é grande demais para a gente ter medo de amar. Foi numa conversa com os pais que o Murilo me fez perceber que o Rocky Balboa treinando o filho do Apollo seria o melhor exemplo pra gente vencer a gente mesmo. Foi numa roda de conversa que o Nathan trouxe pra mim a forma mais bonita de se descrever o Amor.

Já não sei quantas estrelas contar e em qual lugar a Vênus decidiria estar em tantas trajetórias de amar. Eu sou um tanto deles. Quando me abraçam para ser contagiados com as minhas sardas, quando dizem que eu já roubei o coração de alguém, quando me escrevem cartas de Amor. Eles sabem o tanto que são de mim. Eu sou deles.

No fundo, nós somos feitos de pessoas. O nosso universo é desenhado por todas aquelas que passaram, permaneceram e foram embora da gente. Há quem deixe um vazio enorme, existem aqueles que preenchem todos os poros, Tem gente que nos rouba, gente que nos devolve. O Curumim em mim dança, em cada estrela de cosmos, em cada cor que tingiu meu cabelo. Sou feita de grandes estrelas que cavalgam comigo na minha mochila sagitariana, que me ensinam que liberdade mesmo é ser quem somos, que temos raízes, mas também asas.

Sol em Sagitário, Vênus nas crianças.

Para todos os meus curumins que vivem em mim e formam a mais bela constelação do zodíaco.

 

Anúncios