“Ainda é cedo Amor, mal começastes a conhecer a vida…”

-Você é de Sagitário, né? Vocês são difíceis.

Foi assim que conheci uma mulher, numa sexta à noite, num show… E ela me contou sua história de Amor.

Eu tentei argumentar. Disse que não era bem assim. A gente só precisa ser seduzido pra ficar. É difícil ficar pra gente porque o mundo é imenso, tem sempre outro lugar, outra vida, outros sorrisos, estas coisas. Sempre uma mochila esperando ser feita, um destino novo a ser conhecido. Mas, a gente fica, este é o segredo. Quando a gente decide ficar, permanecemos, inconstantes, é verdade, mas se decidimos por ficar é porque estamos. Envolvidos, amando, de corpo inteiro, estamos ali, de alma imensa. Eu tentei argumentar isso com Ana Célia antes de Teresa Cristina entrar no palco e falar com a gente como se fosse Cartola.

Cartola cantou muitas forma de se amar. O Amor que passa, O Amor pra vida inteira, o Amor impossível. Repetidas vezes, escrevo sobre o Amor. O meu ponto de vista sagitariano, o de Ana Célia de peixes. E dizem que quando os arqueiros encontram os peixinhos, acontece um movimento místico no universo.

Ana amou um arqueiro, destes do tipo que caem no mundo porque são livres, cavalo alado, assim ou assado, sem meio termo. Ana, a peixinha solitária no mar que é a vida. Ela se encantou por ele, destas coisas que centauros trazem na mochila, na lenda de que eles são impenetráveis. Mentira. Nem nosso próprio arco nos protege daquilo que acontece de verdade. Palavra de uma arqueira.

Foram meses de amor avassalador, mas quis o destino e a falta de encaixe racional que ele sumisse. Ana casou, teve um bebê, enviuvou… e ele? Voltou depois de 14 anos, pedindo para que ela ficasse. Fica… Eu tenho uma porrada de sonhos dentro de mim, um arco, uma flecha, um monte de piada sem graça pra contar e te fazer sorrir, um turbilhão de coisas acontecendo aqui dentro que eu sei que é Amor porque, olha, a gente não sente fácil estas coisas. Assim que nós sagitarianos dizemos “Eu te amo”.Assim que imagino ele pedindo para que ela ficasse.

Ana não ficou, ela foi embora, mas o arqueiro mora dentro dela até hoje, 26 anos depois, o grande amor que viveu na vida…

-Ana, ele gosta de você.

Eu confessei pra ela, vendo seus olhos se iluminarem…

-Porque  um sagitariano só volta quando gosta de verdade e isso é raro de acontecer.

-Você já voltou?

-Já…

Teresa Cristina entrou e começou a cantarolar que o mundo é um moinho. E eu, já quase acostumada a ter de ir embora, vi a minha certeza ser triturada.

Peguei meu arco e minha flecha, coloquei na minha mochila, olhei pro destino e disse “Você não se cansa de brincar comigo, né?”

Tem gente que fica na gente pela vida inteira… Simplesmente fica.

 

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