– Oi, Eu sou a Alice. E eu como brócolis. E salada.

Eu nem precisei pensar muito. Alice logo veio me pedindo uma apresentação tão memorável quanto a dela.

– E você? O que você mais ama fazer na vida?

– Eu sou Nathalia. E eu amo café. E escrever histórias.

– Histórias de princesas?

-Também.

Ela 4, eu 30. Ela Bela, eu Valente. Ela 1.20, eu 1.57. Ela gargalhando, eu sorrindo. Ela cabelo bagunçado, eu cabelo bagunçado. Ela menina, eu menina.

Alice é uma daquelas pessoas das quais você quer esconder o frasquinho que as fazem crescer. Ela já é grande para sempre. Comer salada e amar brócolis é para poucos. Descobrimos que também não gostamos, juntas, de carne. Mas que amamos ovo, ovo que vira omelete, ovo mexido na torrada, ovo de colherinha que a vó faz e te entrega no pano de prato porque tá quente.

A gente também achou nossos signos no zodíaco. Alice é peixinha e me perguntou se este era um signo bom. Peixinhos, depois dos centauros, são meus favoritos. Eles veem o mundo com fé, por mais que doa.

– Você também é peixe?

-Não. Eu sou metade menina e metade cavalo.

– Mãe, olha que lindo! Ela é metade cavalo e lança flechas.

No meio do caminho, tinha um amor. Tinha o Gabriel que a faz rir muito e, ao que me parece, é extremamente envergonhado. Mas ele é inesquecível.

E com aquelas mãozinhas pequenas, ela delicadamente faz carinho nos tsururs na mesa.

-Me ensina?

-Eu não sei, Alice. Sempre esqueço como faz.

Não importa. A gente teve que ficar em silêncio porque eles dormiram. Cochichando, perguntei se ela queria levar algum pra casa. Na mesa, 5 pequenos pássaros de dobradura. 4 deles imponentes, equilibrados, vivos. O outro inclinado para poder se apoiar, sem muito alicerce, apenas compondo a paisagem.

-Eu quero este, o deitado. Tadinho dele. Acho que está sozinho.

– Quer levar mais algum?

-Não. Este precisa de mim.

Alice me deu um abraço apertado e foi embora. Alice adotou o passarinho caído. Alice nunca vai esquecer o Gabriel. Alice tem uma fantasia da Bela que precisa de conserto.

Alice passeando pelo país da salada. Lá tem passarinhos deitados que são felizes, um monte de peixinhos que andam de mãos dadas com centauros. Gente grande que fala o que gosta de verdade. No país dos brócolis, ser princesa é ser forte e andar com cabelo desarrumado, é ter um cardápio que vem repleto de opções com ovo. E tem um mestre fazedor de tsurus em cada esquina.

E quando você olha pro céu, pode ver todos aqueles papéizinhos ganhando vida, mesmo que a dobradura não tenha dado certo.

Alice no país dos brócolis…

– Histórias de princesas?

-Também.

 

 

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